
“É difícil dizer se ser professor, na atualidade, é mais complexo do que foi no passado, porque a profissão docente sempre foi de grande complexidade. Hoje, os professores tem que lidar não só com alguns saberes, como era no passado, mas também com a tecnologia e com a complexidade social, o que não existia no passado. Isto é, quando todos os alunos vão para a escola, de todas as raças e todas as etnias, quando toda essa gente está dentro da escola e quando se consegue cumprir, de algum modo, esse desígnio histórico da escola para todos, ao mesmo tempo, também, a escola atinge uma enorme complexidade que não existia no passado.”
(trecho da entrevista do Nóvoa, 2001).
Quem sou como professor?
Falar a respeito desse assunto é uma proposta bastante desafiadora e até mesmo complexa, pois uma reflexão sobre o tema mexe com as nossas estruturas, faz-nos pensar e, não me parece algo simples de se escrever como o preparo de uma pequena resenha, afinal a responsabilidade que temos é grande e nada fácil.
O uso da informática educacional no Brasil já completou sua primeira década, e muitas escolas já contam com laboratórios de computadores. Seu uso pode ser dividido em duas abordagens: a informática no ensino e o ensino da informática. A primeira, o uso da informática no ensino, padece da grave falta de softwares educacionais, sobretudo em língua portuguesa, falta esta agravada pela baixa qualidade e restrito efeito educacional dos disponíveis e de adequada formação dos professores.
A segunda abordagem do uso da informática no ambiente escolar é talvez o mais difundido hoje — principalmente nas escolas particulares. Em parte porque o "mercado" o exige (e nisso as escolas não se diferenciam em qualidade dos piores cursos de informática oferecidos em qualquer esquina), mas também porque a falta de bons softwares educacionais impede pensar alternativas que realmente agreguem qualidade ao processo ensino-aprendizagem.
Quando se fala em computadores na escola sempre surgem as inevitáveis menções à merenda escolar, às janelas quebradas e aos baixos salários dos professores. Não podemos deixar de levantar que é apenas com muita e da melhor tecnologia que evitaremos um desnível social ainda maior entre a escola pública e a privada (ou entre o Brasil e as nações desenvolvidas). Assistido com meu filho o desenho animado da família “Rodinson” como ele diz, percebi que o inverso disso é Robinson Crusoe, o do clássico de Daniel Defoe: de mãos nuas, escapando de um naufrágio, reproduz em sua ilha deserta a tecnologia da época, usando apenas seu conhecimento e a vontade de transformar a realidade.